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Sotaques do Bumba-meu-boi

Os grupos de Boi do Maranhão estão classificados em sotaques (estilos, formas, expressões, "feitios" e maneiras), segundo características peculiares das diversas regiões do Estado onde surgiram, fazendo realçar indumentárias, instrumentos, ritmos, coreografias, personagens e temas diferenciados. Entre os sotaques destacam-se:

SOTAQUE DE ZABUMBA
É marcado pela presença da percussão rústica e cadenciada, como se fosse o rufar de tambores africanos, soando forte na emoção de seus componentes. Com grandes caixas (zabumbas), maracás e tambor-onça, esse sotaque apresenta um ritmo socado, marcante e envolvente. Na sua rica indumentária, sobressaem-se os chapéus de vaqueiro no estilo cogumelo, com numerosas fitas multicores e, nas roupas, elaboradas e largas franjas de canutilhos trançados. Teve sua origem no município de Guimarães.

SOTAQUE DE MATRACA OU DA ILHA
Os bois dessa categoria são próprios da ilha de São Luís e formam verdadeiros batalhões. Essa denominação surge pelo fato de terem nas matracas, seu principal instrumento, ao lado dos pandeirões, produzindo um ritmo frenético e contagiante. Possuem a indumentária mais simples, embora nela se destaquem os exuberantes caboclos-de-pena.

SOTAQUE DA BAIXADA
De toque mais leve e suave, com pandeiros e matracas, possui no vestuário, ricos ornamentos, realçando exuberantes e enormes chapéus de fitas com testeiras bordadas de canutilhos em chuvisco e penas de ema nas pontas. Dentre seus personagens, destaca-se o cazumbá – exclusivo desse sotaque - numa alusão mágica a um ser místico (meio homem, meio bicho) representado com máscaras características, bata e chocalho na mão. Evolui em coreografia única, com requebros evidenciados pelo cofo que esconde atado na cintura. Há variações entre grupos dos municípios de Pindaré, São João Batista, Viana e os grupos da Baixada radicados em São Luís.

SOTAQUE DE ORQUESTRA
Os instrumentos como pistom (trompete), saxofone, clarinete e banjo aparecem em destaque nesse sotaque, acompanhados dos tradicionais tamborim, maracá e tambor-onça. O som é bem mais suave, lírico e nostálgico, porém animado. Sua coreografia é bastante diversificada, provocando a participação do público que se envolve nos cordões. Com vestes elaboradas e coloridas, os brincantes usam chapéus ricamente bordados no estilo gaiola. Surgiu na região do rio Munim, a nordeste do Estado.

SOTAQUE DE COSTA-DE-MÃO
O ritmo desse sotaque é bastante cadenciado, marcado por instrumentos de percussão, como caixa, maracá e pandeiro, pendurado com auxílio de um fio no pescoço do brincante, facilitando a batida, que é feita com as costas das mãos. Sua indumentária faz-se notar pela presença de características próprias tais como calças de veludo inteiramente bordadas e chapéus em estilo cogumelo, afunilados. É conhecido, também, como sotaque de Cururupu.

"Vaqueiro tu abre a porteira do curral
que é pra meu boi viajar
E canta boiada pra ele
Que é pra poder caminhar
Lá vai, lá vai, meu boi andando
E ele vai andando devagar..."
Toada de Boi do sotaque de Costa-de-Mão

"Lá vem meu boi urrando,
subindo o vaquejador,
deu um urro na porteira,
meu vaqueiro se espantou,
o gado da fazenda
com isso se levantou.
Urrou, urrou, urrou, urrou
meu novilho brasileiro
que a natureza criou!"

Toada de Boi do Sotaque de Pindaré, do cantador Coxinho

 
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